segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Dani e Jani a Grande Lição




     
                              Uma Grande Lição







   Eu sempre ouvi que aprendíamos mais com a escola da vida, face as experiências vividas, do que com as lições escolares, (era conversa de gente grande)!

    Tudo bem, a minha vida educacional foi uma dádiva divina!

  Ora, Deus me abençoou com pais, zelosos que sempre acreditaram no crescimento evolutivo, através do estudo!
  Eu, ah, estou formada, na profissão escolhida por mim, e trabalhando, graças a Deus!
    Contudo, o que me levou a tecer essas pequenas linhas, foi o seguinte: o de ter me deparado com um CASO INCOMUM: o de duas mulheres ajuizarem AÇÕES de ALIMENTOS contra o MESMO DEMANDADO.
   Até aqui ,tudo bem, porém;  vocês podem  me questionar, qual é a surpresa, em nossa cidade isso é tão corrente?
   Mas, gente o inusitado é que as elas foram MULHERES DO DEMANDADO SIMULTANEAMENTE, e hoje são  AMIGAS COMPANHEIRAS E CUIDAM DOS IRMAÕS.
   Explico melhor!
  A que eu estava realizando o primeiro atendimento, nesse fatídico dia, munida dos documentos indispensáveis para a propositura da citada AÇÃO DE ALIMENTOS, sentou-se em minha frente, tentando analisar-me, a todo instante, sentindo-se instada a se manifestar, todo o momento, e, claro respondendo claramente as minhas perguntas, assim, no afã de ser prestativa. 
   Tentando descreve-la, de uma forma impessoal: uma moça de estatura mediana, entre os 23 a 27 anos, simpática, comunicativa, trabalhadora assalariada, que me afirmou diversas vezes que o motivo de estar ali: era em razão do desaforo do requerido, de se esquivar em prestar alimentos para o filho que tiveram juntos na constância do relacionamento vivido entre ambos.
    A medida que ela falava, eu conseguia olhar rapidamente, para ela, no afã de deixá-la em paz, provando-a que eu estava prestando atenção. Ela, bom, ela me fitava querendo uma participação, assim, ouvir a minha opinião.
    Eu a respondia formalmente!
  " (...) Olhe. Sra, infelizmente, o cenário de todos os atendimentos que eu fiz, são assim, eles demonstram que os homens em sua grande maioria são processados pela falta de comprometimento com as responsabilidades, e  acrescentei,  (...) em que pese a Senhora estar vivendo isso, o cenário está mudando, porque, hoje já atendo homens mais comprometidos, vindo pessoalmente ofertar alimentos, regulamentar visitas(...).
      Aí, ela virou o rosto e apontou pra uma mulher que estava sendo atendida com o meu colega, no mesmo, instante e lançou-me a pergunta.
      "(...) Você está vendo aquela moça ali? (fazendo barulho pra moça virar).
   E, continuou, (...) nós fomos mulheres do mesmo homem e tivemos filhos dele (parou pra suspirar) e, continuou, ela foi a primeira e, eu, a que entrou no meio do relacionamento,(sem qualquer embaraço, continuou).
   Ela só conseguiu viver com ele um ano,,,, e , eu, ah, eu vivi com ele, durante sete (07) anos, e conto pra senhora, que quando eu e ele vivíamos juntos, a vida dele era mais organizada, porque , eu cuidava das contas, do trabalho dele, sem falar que ele não deixava de prestar alimentos para o filho dela, e, eu ainda mandava ele assim..., sabe, vá ver o seu filho, criatura!,(...)  .
   Nessa hora percebi que a outra mulher sorria timidamente, assentindo com a  cabeça.
    Eu parei de digitar, porque senti que estava começando a ficar interessante.
    Olha eu senti nela muita franqueza nas palavras, e assim que ela acabou de contar, entendi o que estava acontecendo ali: UMA GRANDE LIÇÃO, para todos nós que estávamos assistindo aquele atendimento, explico:   As duas mulheres estavam ajuizando ações de alimento contra o mesmo demandado, mas, o ponto de ligação delas é que elas viveram os respectivos relacionamentos amorosos de forma atropelada, ou seja, um começou e o outro não havia terminado, ou seja, um terreno propício para germinar desavenças.
  Mas, em que pese, estarem vivendo uma situação esdrúxula, elas escolheram serem amigas, ao invés de se tornarem inimigas.
 Isso mesmo, elas construíram uma bela amizade, para tão somente PROTEGER AS CRIANÇAS QUE SÃO IRMÃOS.
   Eu e todos os meus colegas ficamos surpresos  com aquele forte desabafo, porque, nunca vimos tamanha declaração de CONHECIMENTO DA UNIDADE, pois, a minha atendida chegou a afirmar,
   " ...o problema que eu tenho com ele, não pode interferir nos nossos filhos,(no meu e no dela) na minha cabeça, quando eu estava com ele.....ele devia prestar alimentos ao filho dela, entendeu? ele nunca deixou de ajudar o menino. Isso é o certo,  pois se ele tratar mal o filho dela, o que ele fará com o meu, não vejo diferença...?
  
     Uma GRANDE LIÇÃO!
     
    A professora que me ensinou é operadora de telemarketing, acredito que só tem o ensino médio!

    Aplausos ,para  Dani e Jani.



                         Silvia França de Souza Morelli